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Jerez De La Frontera | Bodega Tio Pepe e Catedral

18.04.2019

Jerez De La Frontera é uma cidade ao Sul de Sevilha, próxima a Cádiz. Fizemos o trajeto em pouco mais de uma hora. Não é uma cidade tão pequena, tem cerca de 200 mil habitantes e vale a visita!

 

A cidade é conhecida pelo seu vinho Jerez (ou Sherry, ou Xerez) e por muito tempo também foi famosa pelo automobilismo, pois de 1986 a 1990 sediou o GP da Espanha de Formula 1 - Ayrton Senna foi campeão em duas ocasiões. O autódromo hoje é utilizado para outras competições, sendo a mais famosa delas o Moto GP.

 

Nós fomos para Jerez para visitar a Bodega Tio Pepe, a mais conhecida fabricante de Jerez, uma marca icônica na Espanha - na Puerta Del Sol em Madrid, há um luminoso enorme da Tio Pepe, o único que permaneceu após a lei que proibia propagandas na praça, por se tratar de um luminoso de 1950 que já havia se convertido em ponto turístico.

 

O Jerez é um vinho fortificado, que recebe adição de aguardente vinílica antes da sua maturação em tonéis de madeira - é normalmente consumido como aperitivo ou sobremesa.

 

Reservei nossa visita pelo site (clique aqui!). Ao chegar na cidade, coloquei no GPS o endereço do Parking Alameda Vieja (dica que li no Viaje na Viagem e que foi perfeita), que cobra por minuto e que está exatamente em frente à entrada da Bodega.

Tickets em mãos, fomos direcionados até uma sala com vários sofás para esperarmos a hora exata de início de visita, que ocorre em Inglês, Espanhol ou Alemão. Essa sala conta com alguns quadros de personalidades que já visitaram a vinícola, entre elas o nosso campeão Ayrton Senna.

Pontualmente no horário, fomos chamados para iniciar a nossa visita, em Espanhol, com um guia ótimo (esqueci seu nome, infelizmente!). A visita começa com um passeio em um trenzinho vermelho muito fofo, que percorre a propriedade. O guia vai nos contando a história da Bodega González Byass (Tio Pepe é na verdade a marca mais famosa, e não seu nome).

Tudo começou com um jovem empreendedor chamado Manuel González Ángel, que juntamente com três sócios iniciou a fabricação de vinhos em Jerez, tendo fundado a empresa em 1838, com o então nome de González y Dubosc. Em 1863, após rompimentos de sociedade e a entrada de Robert Byass (um comerciante de inglês) nos negócios, a empresa se renova com o nome que tem até hoje: González Byass. A empresa, por mais que tenha crescido e hoje seja uma das maiores do mundo, segue tendo uma administração familiar, comandada pelos herdeiros dos fundadores.

Ao longo da visita, vemos vários Tios Pepes espalhados pela propriedade. A figura simpática de uma garrafa com mão na cintura, sobrero e jaqueta vermelha é marca registrada do vinho Tio Pepe, um vinho jerez que leva o nome do tio do fundador da bodega, a quem Manuel González tinha muito apreço e que lhe ajudou muito principalmente no início da empresa e por isso ele decidiu homenageá-lo.

 

Conhecemos todo o processo de produção do vinho Jerez, que assim como Champagne na França, é uma denominação de origem e portanto só pode ser chamado Jerez se for produzido com a técnica correta dentro da região chamada de Marco de Jerez, que abrange territórios nas cidades de Jerez De La Frontera, Puerto de Santa Maria e Sanlucar de Barrameda. Há diversas bodegas na região, porém a González Byass (ou Tio Pepe!) é a maior e mais famosa: é a vinícola mais visitada na Europa, e recebe anualmente cerca de 200 mil visitantes.

Durante a visita, dentro de uma das caves, assistimos a uma vídeo muito engraçadinho narrado como se fosse pelo Tio Pepe de verdade, e ele nos conta um pouco sobre a história da bodega do seu sobrinho, sobre a família e o processo produção do Jerez, que tem algumas características interessantes: a rega artificial é proibida e todos os vinhos envelhecem em barricas de 100% roble americano.

Aprendemos também tudo sobre o processo de criaderas y soleras, uma forma de armazenagem e envelhecimento que consiste em passar lentamente uma fração do conteúdo de uma barrica (ou bota, como eles chamam) de vinhos mais velhos para a bota onde estão os segundos vinhos mais velhos, e assim por diante, até chegar na bota com os vinhos mais jovens. 

Na fileira de botas mais próximas ao chão estão os vinhos mais velhos, e essa fileira é chamada de solera. Debaixo para cima, a segunda fileira chama-se primera criadera, acima dessa está a seguinda criadera e assim por diante. É um processo bastante curioso e faz com que os vinhos de todas as botas acabem se misturando - conferindo assim homogeneidade para a produção e eliminando diferenças entre safras. Atualmente esse processo é automatizado, mas por muitos anos foi completamente manual! 

O passeio ainda passa por uma sala que está intacta desde a morte de seu fundador, em 1888 e também pela Calle Ciegos - que foi incorporada à vinícola (antes era uma rua comum) e foi eleita uma das 10 ruas mais bonitas do mundo! Apesar de pequena, ela é coberta por um parreiral que, quando em vindima, forma uma cobertura natural de folhas e uvas!

O passeio termina em um salão de degustações com várias mesas e um terraço lindo com uma vista monumental para a Catedral de Jerez.

Lá finalmente degustamos o Tio Pepe e... não gostamos! Rsrsrsrs Vinho fortificado realmente não é muito nossa praia.

 

Não ter gostado muito do vinho não diminuiu em nada a visita à vinícola, que foi muito, mas muito bacana! A bodega é linda, o passeio de trenzinho é divertido e nós aprendemos muito durante a visita!

 

Além disso, a González Byass não produz só Jerez, mas também vinhos tintos e brancos de altíssima qualidade, como é o caso de rótulos como Beronia ou Finca Moncloa (esse provamos na loja e trouxemos para casa!). A loja inclusive é muito bacana e cheia de itens com imagem do seu garoto propaganda, o Tio Pepe!

Estátua de Manuel González ao lado da bodega

 

A visita definitivamente abriu nosso apetite, e fomos então procurar no centro histórico algum restaurante para comer - e escolhemos errado, foi um dos dois restaurantes que não gostamos na viagem ;-( Ainda bem que o jantar desse dia compensou, foi um dos mais memoráveis!

Almocinho bem ruim em um restaurante chamado Albores. Pedimos entradas, não gostamos e desistimos de pedir algo mais!

 

Após o almoço, visitamos a Catedral de Jerez (pagamos 6 euros cada um pela entrada com audioguia incluído - Mar/2019). Construída em estilo gótico sobre onde havia anteriormente uma mesquita (lembram da ocupação árabe que já falei por aqui?), a catedral possui um lindo interior que pudemos percorrer com bastante calma, já que estava bem vazia. A exposição permanente conta com obras de Zurbarán e de Juan Rodríguez "El Tahonero".

 Saímos da catedral e voltamos para o carro, que estava no estacionamento, seguindo viagem a caminho de Vejer De La Frontera, onde passaríamos a noite!

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