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Meu relato de amamentação

05.06.2020

O post de hoje é mais uma vez um relato: vim contar minha experiência com amamentação (clique aqui para ler meu relato de parto!).

Amamentar foi, durante toda minha gravidez, minha maior preocupação - mais que o parto, para vocês terem uma ideia. Parte dessa preocupação vinha do que eu achava ser uma hiper sensibilidade nos seios: achava meus seios muito sensíveis - não conseguia imaginar alguém dependendo deles para se alimentar! Porém, a maior parte da minha preocupação com a amamentação veio de relatos frustrados de amamentação que li e assisti no Youtube/Instagram ou ouvi de pessoas próximas durante minha gravidez. Não sei se foi coincidência, mas foi cerca de 80% relatos e experiências de muita dificuldade, dor, frustração e sofrimento e só 20% de algo tranquilo e que realmente deu certo. Eu não conseguia imaginar sentir prazer em alimentar meu filho se isso me custasse um mamilo em carne viva. Achava esse preço muito alto para se pagar e que se fosse assim eu não daria conta. Ao mesmo tempo, era algo que eu queria MUITO fazer dar certo. Muito mesmo!

 

Viajei para os Estados Unidos para fazer parte do meu enxoval e trouxe TUDO o que eu encontrei que prometesse aliviar ou me ajudar na amamentação e nos cuidados com seios machucados (veja aqui o post com tudo o que eu trouxe!), inclusive uma bomba de tirar leite, que pensei muito se deveria ou não comprar, e acabei comprando para caso eu não conseguisse amamentar, pelo menos poderia tentar tirar meu leite para dar pra ele.

Meu kit amamentação (faltaram as pomadas de lanolina da Lansinoh!)

 

Voltei e me informei sobre todo o fantástico mundo da amamentação: fiz curso de gestantes, comecei a seguir consultoras de amamentação, pediatras e a pesquisar bastante o assunto na internet. Aprendi posições de amamentação, pesquisei sobre as fases do leite, apojadura, a famosa pega correta, como ofertar o leite sem usar mamadeira, mitos e verdades, o que fazer com o seio dolorido, como usar o mamatutti, relactação, etc. Me preparei mesmo. Estava disposta a contratar uma consultora de amamentação em caso de dificuldades e já tinha o contato de uma profissional que viria em casa fazer laser nos meus mamilos caso eles ficassem feridos. Mas, como tudo relacionado na maternidade, você pode até se preparar, e é muito bom que o faça, porém a prática é diferente.

 

Fiz um acordo comigo mesma de que faria de tudo ao meu alcance para amamentá-lo exclusivamente por 6 meses. A partir daí, mamadeira com fórmula. Antes disso, não, e sou sincera em dizer que me frustraria se não conseguisse - nunca deixaria de fazer o que fosse melhor ao meu filho, nem acho que eu seria mais ou menos mãe por isso, mas confesso aqui pra vocês que me frustraria pela minha vontade interior de fazer dar certo. Sei que é bobeira, mas sou humana, e é assim que eu me sentia.

 

Estamos no quinto mês de amamentação exclusiva e estou segura de que vamos chegar ao sexto, minha meta inicial. A questão agora é que não quero parar com seis meses. Cheguei no quinto e é tão bom que não consigo imaginar amamentá-lo por só mais um mês. Quero ir até próximo de um ano, mais ou menos, e vim contar aqui como foi meu caminho até agora. Porque claro, teve dificuldades (muitas!), erros e acertos, mas não foi nem de longe tão difícil quanto eu imaginei que seria, e se você que está lendo está grávida, há muitos casos de sucesso por aí, como considero que foi o meu. Sei que muitas mulher tentam de tudo mesmo, assim como eu estava disposta a tentar, e simplesmente não rola - são muitos fatores envolvidos. Sei disso porque é o que você mais encontra pela internet e na vida real, pelo menos foi o que EU mais encontrei. Por conta disso, dá até um certo constrangimento em comemorar por ter dado certo comigo, parece meio "cruel" da minha parte ficar feliz por ter conseguido frente a tantas mães que não conseguem. Porém, sou tão feliz com essa vitória minha e dele, que me sinto sim no direito de comemorar e compartilha essa conquista como estímulo de que a amamentação pode ser prazerosa! Vi por aí muitas críticas àquela propaganda clássica de amamentação de uma mulher toda plena amamentando sorrindo seu filho e sei que para muitas não é assim, entendo as críticas. Realmente se amamentar fosse tão natural e fácil assim, não precisaríamos de tantas campanhas pró amamentação. Contudo, eu vim dizer que dá pra ser como na propaganda. Ela não é falsa para todas. Para mim amamentar tem sido um momento muito maravilhoso, se não o mais maravilhoso, da maternidade. Demorou um pouco para engrenar e teve tropeços, mas já tem alguns meses que me vejo nessa imagem, de uma mulher feliz amamentando, e quero com minha experiência dar forças e talvez ajudar alguma grávida com medo da amamentação, como eu era há alguns meses.

 

Bom, vamos lá. Já falei do meu medo, vou falar então do que eu fiz para preparar meu seio para amamentar: NADA. E fez falta? Não. Li e ouvi de tudo durante a gravidez: passar pomada de lanolina no nono mês de gestação, passar bucha vegetal, colocar no sol, não fazer nada... Perguntei pra amigas, pro meu médico, para enfermeiras no curso de gestante e o que mais recebi de indicações foi: apenas colocar no sol um pouco por dia. E eu fiz isso uma vez só. Eu acabava esquecendo, ou não batia sol na hora que eu podia, e por fim acabou que eu não fiz nada nos meus seios para prepará-los para amamentação e não fez falta. A nossa natureza é perfeita.

 

E Vicente nasceu, e na sala de parto mesmo colocaram ele no meu seio, mas ele não quis saber de sugar. Nasceu às 09h39 e só foi mamar pela primeira vez às 17h47, tenho vídeo desse momento ❤. Uma enfermeira maravilhosa da Pro Matre (chamada Diva, guardo ela com carinho no meu coração) colocou ele no meu peito direitinho, ele pegou de primeira e começou a mamar o colostro. Fiquei muito feliz! Meu relato de parto e pós parto conta um pouco de como foi a amamentação na maternidade (clique aqui pra ler), mas vou resumir aqui também. 

Vicente mamando pela primeira vez! 

 

No segundo dia após o nascimento ele estava mamando super bem, aproximadamente de 3 em 3 horas, com a pega certinha, e minha maior dificuldade era me ajeitar na cadeira da maternidade, que era péssima. Do entardecer do segundo dia até às 4h da manhã do terceiro dia eu passei praticamente o tempo todo com ele pendurado no meu peito. Uma necessidade de sucção normal de recém nascido, mas que eu não sabia e não estava preparada para - a dificuldade de locomoção da cesárea não ajudou, muito menos os hormônios loucos do puerpério e foi uma madrugada muito difícil pra mim: muito choro, cansaço e esgotamento. Eu olhava para a imagem de Nossa Senhora Amamentando Jesus que minha Avó me deu no dia do nascimento dele e chorava. Pedia forças.

Mesa do nosso quarto da maternidade com a imagem de Nossa Senhora e as lembrancinhas

 

Ele estava mamando a cada vinte minutos, até que às 4h da manhã, no auge do meu cansaço e desespero, uma enfermeira veio e o levou para o berçário por três horas para que todos conseguíssemos descansar: Murillo, o bebê e eu. Foi um alívio. Depois dessa madrugada meu peito ficou MUITO dolorido. Não pelo atrito (não feriu nem a pele nem o bico), não rachou nem nada, mas ficou dolorido da sucção dele. Tudo isso me pegou de surpresa pois eu não estava preparada, não sabia nada sobre exterogestação: grávidas, pesquisem e se informem sobre isso! Nessa noite cogitei dar a chupeta que havia levado, mas a pediatra da maternidade não indicou pois poderia ocorrer confusão de bicos, então não dei.

 

Na noite do terceiro dia meus seios começaram a doer bastante e ficaram muito sensíveis e quentes, parecia que eu estava com uma febre no peito. Para vocês terem ideia, a água do chuveiro caindo sobre eles doía. Essa noite foi quando eu senti mais dor, e tenho certeza que foi a apojadura, descida do meu leite. Li que dói mesmo, mas é só por um tempinho e logo passa. Os mamilos estavam sensíveis também. A médica da equipe do meu médico veio me ver e me ensinou algumas massagens para fazer no peito antes dele mamar e me orientou sobre como usar as placas de hydrogel que eu havia levado e que ninguém da maternidade soube me ensinar a usar (comprei nos EUA da marca Medela - vende no Brasil também). Essas placas foram MUITO úteis para mim, eu as deixava na geladeira do quarto e colocava nos mamilos após ele mamar. Depois tirava e voltava pra geladeira. Aliviava bastante, utilizei no primeiro mês com frequência - havia comprado só uma caixinha e depois comprei mais. Não sei a fundo como ela age e se é assim que é pra usar (a embalagem não explica muito bem), mas funcionava, então eu só usava!

Essa é a placa de hydrogel que usei demais! 

 

Voltamos pra casa e só alegria, ele mamando mais ou menos a cada três horas, e foi no primeiro dia da volta pra casa que introduzimos a chupeta, o que considero meu principal erro na saga da amamentação. Ele pegou de primeira e nós ficamos super felizes, já que tem muitos bebês que não pegam: ele se acalmava muito com a chupeta, ajudava a dormir, uma beleza!

Foto da primeira vez que demos chupeta para ele, logo após o banho (ele chorava demais!), em seu quarto dia de vida. 

 

A amamentação seguiu de vento em popa, ele ficava no meu peito no máximo 10 minutos a cada 2h30 ou 3 horas, estava ganhando peso bem. Sobre dores, logo na primeira semana já estava tudo bem tranquilo. Eu senti no primeiro mês um leve incômodo apenas quando ele abocanhava meu peito, mas logo passava e no final do primeiro mês a amamentação já era zero dolorida. O que eu fiz nesse mês foi usar as placas de hydrogel, bolsa de gelo (eu comprei antes dele nascer bem aleatoriamente na Daiso umas mini bolsinhas pequininhas que deram muito certo, cabiam entre o sutiã e minha blusa) e a pomada de lanolina. Sobre a pomada, trouxe quatro tubos da famosa Lansinoh achando que ia usar horrores e usei muito pouco. Eu detestei a textura dela, achava super melecada, e não achava muito eficaz para aliviar os incômodos que às vezes eu sentia, que eram mais de seio dolorido do que machucado - não tive fissuras nem rachaduras. Talvez para esses casos funcione melhor. Usei muito mais as bolsinhas de gelo do que a pomada, davam um alívio após as mamadas.

Essas são as bolsinhas da Daiso que eu deixava no freezer e usava uma em cada seio para aliviar quando ficava dolorido! 

 

Vicente teve muita cólica e refluxo nos primeiros dois meses e a chupeta ajudava bastante a acalmá-lo. Ajudava também porque dávamos funchicórea pra ele na chupeta (um pózinho natural das antigas que ajudou muito a aliviar as cólicas dele). Confesso que nunca fui muito fã da chupeta. Me incomodava todo mundo colocando a chupeta na boca dele a toda hora, as vezes "enfiando" sem ele querer, tanto que muitas vezes eu colocava só a pontinha para ver se ele pegava e orientava todos a não insistir caso ele não quisesse. Hoje eu entendo que a chupeta ajuda sim na necessidade de sucção, mas ela também funciona como um "cala boca", sabe? Chorou: chupeta, como se todo choro significasse que ele precisasse de sucção. Até então eu não havia sentido que a chupeta estava atrapalhando a amamentação, ele seguia mamando normalmente.

 

Quando ele tinha um mês e meio meu Marido viajou por três semanas a trabalho e eu fui com o Vicente de mudança provisória pra casa da minha Mãe. Nesse período (ele tinha exatamente um mês e vinte dias de vida, foi dia 25/02 - pleno Carnaval), eu passei uma tarde na casa da minha Sogra e ele começou a mamar um pouquinho, cuspir o peito e chorar. Pulou uma mamada. Duas mamadas. Fiquei preocupada, ele parecia que estava com fome mas quando vinha mamar, chovava e não mamava. Eu ordenhava meu peito manualmente e saía leite. Pouco, mas saía. Considerando que ele não mamava havia horas, deveria ter saído mais, mas saía. Será que eu estava sem leite? Fiquei muito preocupada e meu Sogro me levou até minha casa para buscar leite congelado que eu tinha tirado e armazenado para alguma emergência. Fui chorando. Voltei pra casa da minha Sogra e antes de dar meu leite na mamadeira fiz uma última tentativa e ele mamou meu peito, como sempre fez. Que alívio. À noite fui pra casa da minha Mãe e novamente ele começou: mamava e começava a chorar. Não sei dizer se ele estava com refluxo (ele teve muito refluxo), então começava a mamar e o leite voltava irritando o esôfago dele e ele chorava, ou se já era confusão de bicos causada pela chupeta.

 

Como era a segunda vez no dia que isso acontecia, esquentei 50ml do leite que eu tinha congelado e dei na mamadeira. Mamou tudo super rápido. Ele mamava e eu chorava. Detestava vê-lo tão novinho mamando na mamadeira, mas eu me consolava pensando que era meu próprio leite que ele estava mamando. Aí quando ele terminou de mamar parecia que queria mais. Tirei meu leite na hora com a bomba, 40ml, e ele mamou tudo e quando acabou começou a chorar. Peguei outro saquinho de leite congelado e esquentei 60ml. Mamou tudo e dormiu, satisfeito. Fiquei sem entender nada: meu leite no peito ele não queria, na mamadeira sim? Não sabia o que esperar da próxima mamada e liguei pro pediatra, que me orientou a oferecer meu peito, e se ele não quisesse eu deveria ordenhar e dar na mamadeira, e se ainda assim ele não mamasse, me passou uma fórmula para comprar e dar. Com dor no coração fui comprar a fórmula para ter caso ele precisasse.

 

Eu sei que graças a Deus temos fórmula, que nutrem tão bem o bebê, sei que tá cheio de bebê saudável que toma e tomou fórmula, mas estou sendo sincera em dizer que eu não queria precisar dar fórmula para ele. Muitas mães dão fórmula e tudo bem, mas eu não me sentia assim. Eu queria amamentar! A próxima mamada chegou e eu rezei muito para dar certo. E graças a Deus deu, ele mamou no meu peito como sempre! Seguimos a partir daí como se nada tivesse acontecido, ele seguiu mamando no peito normalmente, eu até troquei a fórmula na farmácia porque nem chegamos a abrí-la. Nesse meio tempo eu comecei uma rotina de ordenha para ter bastante leite armazenado caso esse episódio ocorresse novamente, e agradeci ter comprado a bomba pois ela me trouxe segurança.

Felizona por ter conseguido tirar 100ml com a bomba - acertar a rotina de extração também custou um pouco de pesquisa e persistência, mas logo deu certo! #cadagotaconta #myprecious

 

Dia 08/03 aconteceu de novo, ele passou a tarde sem querer mamar: mamava um minuto, cuspia o peito chorando e se acalmava com a chupeta. No fim, pulou umas mamadas e quando eu comecei a ficar preocupada, ele mamou no peito normalmente. Dia 10/03 aconteceu novamente, ele estava com dois meses e 5 dias. Eu estava na minha casa com minha Mãe, meu Marido outra vez viajando à trabalho, e novamente essa dificuldade pra mamar, sempre a mesma coisa: vinha pro peito, mamava dois minutos e abria um berreiro. Não queria peito, e se acalmava com a chupeta. No fim da tarde desse dia, em meio a minha frustração e preocupação, por providência divina uma super amiga me mandou pelo Instagram, apenas por curiosidade e por ela ter achado interessante, uma consultora de amamentação chamada Jade do Insta @divinotete explicando o que era a tal confusão de bicos. Até então eu só tinha ouvido falar de confusão de bicos, não sabia a fundo o que era e pensava: "imagina, ele não vai confundir meu peito com uma chupeta".

 

A consultora explicou direitinho o que era a confusão de bicos: o que ocorre é que o movimento de sucção da chupeta/mamadeira é totalmente diferente do que ele faz no peito para mamar. Tudo é diferente: a abertura da boca, o movimento com a língua, a posição dentro da boca do bebê. Ela mostrou com um fantoche a dinâmica (para quem se interessar, a explicação está nos stories dela salvo nos destaques como "Confusão de Bicos" - recomendo demais!) e falou sobre os sinais de confusão de bicos, o principal deles: o bebê começa a mamar e fica irritado. Para mim tudo se clareou na HORA. Sabe quando você fica meio que em choque assistindo? Fiquei assim.. Ele estava fazendo confusão de bicos. Vicente ficava tanto tempo com a chupeta na boca que vinha para meu peito, fazia o movimento da chupeta, o leite não saía, ele ficava irritado e chorava. Senti dentro de mim que se não tirasse a chupeta, eu perderia a amamentação. Eu estava quase perdendo. Ou tirava a chupeta, ou ele deixaria de mamar no meu peito, isso ficou muito claro para mim vendo a explicação dela depois de ter passado pelo que nós estávamos passando.

 

Mandei uma mensagem pra consultora Jade falando que havia identificado uma clara confusão de bicos no meu filho e perguntei se deveria tirar a chupeta e como seria. Ela disse que sim, tirar totalmente a chupeta e disse que o começo ia ser difícil, ele ia querer colo, peito, colo e peito, mas que com paciência ia dar certo. Conversei com o Murillo e decidimos tirar a chupeta radicamente, de uma hora pra outra. Sim, ele quis nos primeiros dias muito colo, muito peito, tivemos noites bem agitadas com Vicente acordando bastante, mas coisa de cinco dias depois ele tinha já esquecido a chupeta!

Foto que tirei pra documentar o fim das chupetas!

 

Foi a partir daí que a amamentação engrenou de vez para nunca mais desandar - isso já faz três meses e não tive nunca mais nenhum problema com amamentação. Ele estava ganhando peso mesmo com a chupeta, mas desde que tiramos achei que ele encorpou, ganhou dobrinhas e passou a mamar muito mais. Vejam abaixo no gráfico de mamadas como mudou após a retirada da chupeta: ele mamava em média 1h20 por dia e passou a mamar em média quase 4hs (cada tracinho abaixo corresponde a uma mamada).

 

 

Sim, ele passou a ficar muito tempo no meu peito, mas o que esperar de um bebê de apenas dois meses, plena exterogestação? Só queria colo e peito, nada mais natural - fui entender isso na prática. Ter ele mais tempo no meu peito com certeza estimulou e regulou minha produção e acredito que por isso não tivemos mais problemas! 

 

Após ele completar dois meses tudo na verdade melhorou: as cólicas, o refluxo e, tirando a chupeta, a amamentação. A partir daí parece que como em uma engrenagem, tudo começou a se encaixar, a gente começou a se entender e as coisas foram ficando cada dia melhores ❤!

 

Outro ajuste que tivemos que fazer foi recentemente, quando ele fez 4 meses e fizemos uma consulta online com o pediatra. Conversei com ele sobre o esquema que estávamos, a frequência e duração das mamadas - muitas e longas. Como meu Marido havia voltado a trabalhar e eu estava ficando com ele sozinha o dia inteiro, para qualquer incômodo ou choro do Vicente: peito. Nem percebi mas estava fazendo o mesmo que fazia com a chupeta, só que dando o peito ao invés da chupeta para qualquer choro: seja de fome, sono, ou qualquer irritação. Por exemplo: se ele dormia durante a mamada e eu o colocava no berço e ele acordava, eu imediatamente voltava ele para o peito ao invés de niná-lo para dormir. Fome não era, correto? Ele tinha acabado de mamar! Era meramente um hábito ou vício de sempre mantê-lo no peito pois de fato é a forma mais fácil, rápida e silenciosa de acalmá-lo, mas fui aprender que não é (e nem deve ser) a única! 

 

O pediatra explicou que como ele já estava com quatro meses, deveríamos tentar desvincular isso de "peito para tudo". Quando ele tivesse com fome, dar (claro!), mas quando ele desse sinais claros de que estava com sono, por exemplo (e a essa altura eu já sei bem como é), ele orientou a tentar fazer dormir sem dar o peito. Disse que essa dinâmica de peito para tudo não é saudável para o desenvolvimento psicológico dele, além de criar uma dependência muito forte somente comigo: só eu colocava para dormir, por exemplo. Ele sugeriu até reintroduzir a chupeta para ajudar nesse processo, mas eu fui contra. Expliquei tudo o que passamos para tirar a chupeta e falei que não queria dar e arriscar. Mais uma vez lá fomos nós, adequando a rotina! 

 

Novamente nos primeiros dias foi difícil, mas tudo logo entrou no eixo. Eu registro as mamadas, então consegui ver que ele antes estava vindo pro peito a cada 1h20, 1h30, e obviamente que não era por fome. Mudamos o comportamento e agora ele mama às vezes de 3h em 3h, às vezes 2h30, às vezes 2h... Depende. Estou procurando amamentar quando efetivamente ele estiver com fome. Essa mudança coincidiu com meu Marido ter conseguido voltar a ficar alguns dias da semana em home office e também da minha Irmã ter vindo ficar conosco nesse fim de quarentena (será que é o fim? Espero que estejamos ao menos próximo disso). Ter alguém para dividir os cuidados ajuda nessa desvinculação que hoje eu percebo ser tão necessária. Murillo e minha Irmã conseguem fazê-lo dormir e também acalmá-lo, por exemplo. Antes, era somente eu, com o peito, que conseguia. Claro que tem momentos em que ainda uso o peito para acalmá-lo (é um super trunfo! kkkkk), mas tenho me policiado para controlar melhor essa oferta. No começo fiquei meio cética quanto a essa orientação, mas deu muito certo e fico feliz de termos confiado no pediatra e seguido. A rotina ficou mais leve e melhor distribuída. Foi bom pra nós dois, nós três na verdade, já que meu Marido ficou super feliz de ter uma participação ainda maior nos cuidados do bebê.

 

E esse é o fim do meu relato, do ponto onde estamos e tudo o que fizemos para chegar até aqui. Vicente continua mamando somente leite materno desde seu nascimento, ainda acorda todas as noite para mamar (às vezes uma, às vezes três vezes) e desde que ele nasceu eu não durmo uma noite inteira - coisa que poderia ter acontecido há tempos se ele mamasse fórmula, por exemplo. Pura abnegação. Coisa de mãe mesmo, doação total. O começo foi muito difícil, essa privação de sono é cruel, mas passa. A gente se acostuma. Amamentar é um momento de muito amor e troca entre nós que eu amo muito. É cansativo sim e uma escolha diária, afinal não é algo que se pode delegar, mas eu acho que vale muito a pena e faço sempre com muito amor. Coloco na cabeça que é por um período de tempo curto, que vai e já está passando muito rápido. Além disso, é muito gratificante ver a nossa evolução, minha e dele. No começo era meio desengonçado, eu me embananava com as roupas, sutiã, posição, almofada; ele se embananava com a pega, às vezes demorava a abocanhar direito, sempre babava, engolia ar. Hoje o processo está muito melhor. Já vai no automático! Não precisamos mais de paninhos embaixo da boca pois não escorre mais leite, ele engole bem menos ar e pega o bico de primeira, até no escuro!

Tiro várias fotos amamentando, amo muito que quero sempre registrar esses momentos!

 

Minha dica de ouro, se você quer muito amamentar exclusivamente é: confie no seu corpo e no seu bebê. Eu nunca tive aquele peito super ultra cheio de jorrar, meu peito raramente vazou leite, não cheguei a usar nenhum dia absorvente de seio nem concha, para vocês terem uma ideia. Isso nunca significou que eu não tivesse leite. Meu corpo sempre produziu o necessário para ele e confiando nisso consegui chegar até aqui. Claro que exigiu muita força de vontade. Tem que querer muito. Essa vontade, aliada a outros fatores, tem que existir. Não adianta se a mãe não quiser. Então, se você quer muito, se informe bastante (tem muita informação bacana por aí) e confie em você e num profissional alianhado às suas vontades.

 

Por fim, meu parecer sobre a chupeta: não sou especialista e essa é somente minha opinião, mas chupeta e mamadeira podem causar confusão de bicos, que pode levar a um desmame precoce. Todo mundo tem que estar ciente disso. Sei o quanto a chupeta ajuda, é mesmo uma mão na roda em muitos momentos, mas num próximo filho não pretendo oferecer a chupeta pois não quero correr risco dele, assim como o Vicente, confundir os bicos. Com certeza vou colocar a preservação da amamentação como prioridade. Quanto mais o bebê mama, mais leite a mãe produz, e a chupeta acaba espaçando as mamadas, influenciando na dinâmica natural da demanda do bebê e produção de leite. Sei que tem bebês que chupam chupeta e não confundiram os bicos, porém comigo não foi assim.

 

Espero ter ajudado e contribuído com minhas experiência. Não é fácil, mas amamentar vale muito a pena!

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