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Introdução Alimentar do Vicente

Decidi escrever esse post para falar sobre introdução alimentar pois para mim esse foi um grande desafio na maternidade (um tema que eu sequer pensava sobre quando estava grávida, por exemplo) e eu frequentemente recebo pelo Instagram mensagens de outras mães me perguntando algo sobre IA. Vim contar minha experiência como mãe de um bebê de quase 11 meses e, portanto, há quase 5 no fantástico mundo da introdução alimentar, já que iniciamos quando ele tinha 6 meses. Lembrando: não sou pediatra, não sou nutricionista, sou apenas uma mãe que quis dividir com vocês meu relato. Se for útil para uma mãe passando por essa fase, já valeu.

Vicente no comecinho da sua introdução alimentar, comendo mexerica (foi a primeira fruta que comeu!)


Com certeza foi a fase até agora em que eu mais estudei e aprendi. Fiz uma consulta com pediatra só sobre o assunto e além disso li muito, assisti vídeos, pesquisei, conversei com outras mães pois realmente há muito o que aprender, muita informação. A forma como se faz hoje em dia é totalmente diferente da época da minha mãe, por exemplo, então eu tive que ir atrás da informação mais atualizada - há ótimos perfis no Instagram sobre IA (meu preferido é o @bebedenutri e @mundoblw, mas eu também li cartilhas da Sociedade Brasileira de Pediatria, por exemplo).


Um brevíssimo resumo do assunto - o que é a IA?


Introdução alimentar ocorre quando o bebê que até então só tomava leite materno ou fórmula passa também a conhecer/comer/explorar alimentos sólidos. A orientação atual é esperar que o bebê tenha 6 meses completos e todos os sinais de prontidão para iniciar - ter dentes não é um requisito, nós iniciamos com Vicente banguelinha. As principais formas de se conduzir a introdução alimentar são: BLW (o bebê mesmo pega a comida e leva até a boca), tradicional (o bebê é alimentado com uma colher, por exemplo) e mista (quando se mistura um pouco do BLW e um pouco do tradicional). Você pode até ter uma preferência de método, mas o bebê é que vai demonstrar como ele prefere!


Alguns conceitos comuns às duas formas: comida de verdade, oferecida sem sal durante o primeiro ano de vida do bebê e de forma individual (nada de bater no liquidificador, peneirar ou misturar fazendo uma "papinha"). Sucos e chás tampouco são indicados, somente água, que deve passar a ser oferecida junto com o início da introdução alimentar. O método BLW propõe cortes seguros para evitar engasgos (o APP Mundo BLW é muito bacana, tem imagens dos cortes seguros por faixa etária!) e o tradicional uma evolução de texturas: você começa amassando com um garfo os alimentos e com o tempo vai amassando cada vez menos até passar a oferecer em pedaços cortadinhos. Ambos se preocupam com sinais de saciedade da criança: nada de forçar a comer, distrair para comer, insistir em uma "última colherada". Nós devemos nos preocupar com a qualidade do que é oferecido e o bebê define a quantidade. A introdução alimentar deve ser respeitosa e eu acho isso fundamental. Quem gosta de ser forçado a comer algo?


Além disso, importante (tentar!) não criar expectativas. É uma fase que demanda muita paciência e respeito ao tempo de cada bebê - eles são únicos. O leite materno/fórmula será no primeiro ano de vida o principal alimento do bebê, qualquer comida que ele venha a comer será complementar. Saber disso ajuda a baixar as expectativas!


Algo curioso que aprendi nessa fase foi sobre o reflexo de gag, um mecanismo de defesa de nosso corpo que parece com uma ânsia de vômito, e os bebês fazem muito isso no começo da introdução alimentar - e é ótimo que eles façam, porém tem gente que se assusta! Vicente fazia muito no começo mas eu nunca me apavorei achando que ele estava engasgado, eu sabia que não era. Eu também aprendi o que é realmente um bebê engasgado e como fazer a manobra de desengasgo, importante que todos os cuidadores saibam fazer também!

Ele estava com uma coxinha de frango quase inteira na boca! Nunca tive medo dele engasgar. Claro que estive sempre atenta, mas sabia que estava fazendo da forma correta e segura, de acordo com a idade dele. Ter informação te liberta!


A hora da verdade!


Após aprender bastante, Vicente completou 6 meses com todos os sinais de prontidão e lá fomos nós para a introdução alimentar - eu já estava ansiosa. Optamos por fazer de forma progressiva: primeira semana introduzimos uma fruta pela manhã, segunda semana uma fruta à tarde, terceira semana almoço e quarta semana jantar. Muitas pessoas já oferecem desde o primeiro dia todas as refeições mas preferi fazer gradual.


Outra coisa que decidimos foi conduzir a introdução alimentar dele de forma mista: um pouco BLW e um pouco tradicional. Vejo benefícios das duas formas e por isso essa decisão. Fazendo de forma mista poderíamos também ver qual ele se adaptaria melhor.

Bom, iniciamos e as duas primeiras semanas foram de aceitação zero. Ele simplesmente não queria comer, não se interessava, ficava nervoso, cuspia, fazia caretas. Foi muito difícil para mim pois eu sabia que era normal, mas era impossível não me frustrar! Eu tentei variar tudo: o alimento em si, a apresentação, o horário, o local, comia na frente dele para ele ver, dava na mão dele, dava de colherinha... e nada. Eu mentalizava: “no tempo dele ele vai comer!” para me animar e seguir em frente oferecendo, pois sabia que esse era meu papel apesar da rejeição completa. Compra a fruta, lava a fruta, guarda a fruta, escolhe o melhor momento, coloca no cadeirão, coloca o babador, corta a fruta, oferece a fruta, o bebê rejeita a fruta mas suja o cadeirão, o chão, a mão, a boca e o babador. Pensem nesse processo uma, duas, às vezes três vezes ao dia durante duas semanas. Haja paciência.

Eis que com 15 dias do início da IA, ele passou a comer. Parece que virou uma chavinha, foi impressionante de verdade pois foi da noite pro dia. Eu fiquei tão feliz quando finalmente engrenou!


Fizemos da forma gradual como eu contei e acabou que foi progredindo aos pouquinhos mesmo. Por várias vezes ele trocou uma refeição por uma mamada, mas isso nunca me preocupou pois é absolutamente normal e o leite ainda é sua principal fonte calórica - seguimos em livre demanda. As refeições, principalmente as “maiores” que são o almoço e jantar demoraram um tempinho a se estabelecerem, principalmente o jantar, já que no fim do dia é quando ele costuma estar mais cansado. Primeiro conseguimos o almoço e só há uns 2 meses mais ou menos que o jantar passou a fazer mesmo parte da rotina.


Atualmente ele come uma fruta de manhã (as vezes também um pouco de ovo mexido), almoça, uma fruta à tarde e no fim do dia, o jantar. O almoço e o jantar procuro (e desde o começo foi assim), oferecer um pratinho com os 5 grupos alimentares. Usei a imagem abaixo pra me guiar (está na porta da minha geladeira pra me ajudar!).

Fonte: não tenho certeza, porém acho que essa imagem é do @bebedenutri


Esse é meu objetivo. Todas as refeições são completas assim? Não. Procuro ao máximo mas não são todas. Às vezes ofereço 4 grupos, e aí compenso na refeição seguinte, sem neuras. Esse pratinho é o ideal, o modelo e minha referência, mas se um dia não rolou essa variedade toda, ok também.

Exemplo de pratinho dele! Uma amiga criou um insta muito legal com os pratinhos que ela faz para o filho. Ela manda muito bem: @ideiasdepratinho - sigam lá!


A aceitação dele eu sinto que tem aumentado, mas oscila bastante ainda. Tem dias que come mais, outros que come menos. A introdução alimentar é mesmo um processo, aos poucos vai melhorando. O método misto deu muito certo em nossa casa. Tem dias que ele curte mais comer com a mão, outros aceita super bem ser alimentado de colher. Eu preparo sempre as refeições com um pouco pra ele comer com a mão e um pouco na colher e funciona bem dessa forma em nossa família.


O que ele come?


Vou falar agora sobre o que ele come. Ele come comida de verdade! Arroz, feijão, ovo, lentilha, quiabo, batata, cenoura, couve, carne, peixe, carne de porco, camarão, shimeji, frutas (não tem nenhuma fruta proibida, muito pelo contrário). As únicas coisas que ele não come são alimentos processados e ultraprocessados, sal (quando ele fizer um ano está liberado em pouca quantidade), mel (proibido antes dos 2 anos por risco de botulismo) e açúcar, que pretendo pelo menos segurar 2 anos antes de oferecer. E não tenho dó nenhuma dele. Já repararam que um adulto quando não come açúcar está preocupado com a saúde e uma criança que não come açúcar é uma “coitada”? Esse início de vida é fundamental para ele desenvolver uma relação saudável com a comida e vou fazer a minha parte!

Não dá pra dizer que seja uma preferência, ele é muito novinho pra isso, mas ele gosta muito de proteínas em geral, é sempre o que ele escolhe comer primeiro. Gosta muito também de feijão, quiabo, cenoura, lentilha, abobrinha, mandioquinha, shimeji, brócolis, mamão, banana e laranja. O que percebo que ele não curte muito, pelo menos por enquanto é tomate, melancia, abacaxi, uva.

Oferecendo água!

Assim que iniciamos a IA passamos também a oferecer água para ele. Ele toma em copo aberto (o copo comum que usamos em casa) e também tem um copinho de treinamento com bico rígido e sem válvula (que eu tirei para minimizar risco de confusão de bicos/fluxo). Nunca tive problemas em relação a oferta de água. Sempre que lembro ou eu mesma vou beber, ofereço também para ele. Tentei usar copo 360 mas ele não se adaptou, o que deu certo aqui foi o copinho de treinamento mesmo.

Esse é o copo dele, da marca Lillo. Muito bom e baratinho.

Utensílios para introdução alimentar


Ainda sobre utensílios, para a introdução alimentar nós compramos uma cadeira de alimentação, alguns babadores e um pratinho com divisórias. Até comprei um conjunto de talheres, ganhei um outro, mas usamos mesmo a colherinha de chá do nosso faqueiro mesmo. O principal na minha opinião é a cadeira de alimentação, babadores e o copo pra água. Ah, e paciência. Já falei paciência? E paciência. Kkkkkkkkkk

Quando saímos de casa!


Quando fomos fazer a primeira viagem com ele, Vicente tinha 8 meses e estava portanto comendo há apenas 2 meses. A pediatra dele super me tranquilizou dizendo pra eu não me preocupar com isso. De manhã poderia pegar alguma fruta no buffet de café da manhã e se fosse em um restaurante, poderia pedir algum leguminho para ele sem sal, e que sem problemas também pular alguma refeição e oferecer leite materno. A viagem foi super tranquila e fizemos o que fazemos até hoje quando saímos com ele: pedimos ao restaurante para preparar algo simples para ele, algum legume, ou então damos do nosso prato mesmo - OK, tem um pouco de sal, mas isso é exceção, né? Com a pandemia foram raras as vezes que saímos com ele.

Estávamos em um restaurante japonês e ele comeu brócolis, salmão grelhado e shimeji!


Dicas práticas


Eu congelo grande parte da comida dele. Faço em maior quantidade e congelo em forminhas de gelo (arroz, carne moída, frango em cubinhos, feijão, etc) e assim consigo me organizar para preparar as refeições dele. Contei com a ajuda de várias pessoas da família, em especial minha mãe, para fazer esse meu estoque de comida dele. Deixo separado em uma gaveta do freezer e aí vou tirando as porções, montando o pratinho. Quando consigo me organizar, na noite anterior programo o que ele já vai comer e tiro do freezer o almoço e o jantar. Gosto sempre de preparar algo na hora, então algo fresquinho sempre tem, mas a maior parte é sempre descongelada para ele comer. Temos que adaptar tudo a nossa realidade, né? Não tenho ajuda em casa e para mim fazer assim dá certo pois facilita demais. Outra coisa: se sobrou muita coisa do almoço, se ele não comeu por algum motivo, eu guardo e ofereço no jantar. Sem crise!


Outra dica prática é que eu comprei em loja de aviamento um metro de tecido plástico que chamo de tapete BLW (dá pra ver na primeira foto do post!). Eu coloco embaixo do cadeirão dele e assim caso alguma comida seja arremessada no chão (acontece demais, especialmente no começo!), eu posso pegar e oferecer novamente para ele. Terminada a refeição, eu limpo esse plástico e uso novamente na próxima. Ele parou de jogar comida no chão, então parei um pouco de usar por esses dias, mas por meses usei!


♥♥♥♥♥♥


Espero que tenha ficado claro, escrevi um pouco na correria, mas quis deixar registrado como tem sido a introdução alimentar do Vicente, uma fase muito trabalhosa (sujeira é inevitável!), mas muito gostosa! Em breve ele vai completar 1 ano e aí passará a comer a mesma comida (quando saudável) que nós comemos em casa - mal posso esperar. Já vai facilitar bastante, né?


A introdução alimentar dele trouxe muitas melhoras para a alimentação da nossa casa em geral. Estamos comendo muito melhor por causa dele!