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Relato de desmame

Tivemos um final feliz em nossa história de amamentação e esse é o tema do post de hoje ❤. Vicente fez 1 ano e 2 meses e está desmamado!

Foto que tirei amamentando-o em Setembro - ele tinha 8 meses!


Minha ideia é escrever um relato de como foi o nosso processo de desmame, para quem sabe ajudar algumas mães passando ou que pensam em passar pelo desmame conduzido. Quando comecei a pensar no assunto obviamente procurei por informações online e achei vários textos e vídeos com dicas para o desmame, mas não é isso o que quero fazer. O que eu mais gostei de ler e o que mais me ajudou foram relatos de desmame por isso vou fazer nesse formato.


Informação importante: não sou especialista em amamentação, nem pediatra, sou apenas uma mãe compartilhando minha experiência!


Bom, nossa história com a amamentação foi linda. Deu certo desde o começo e não foi nem um pouco sofrido como achei que seria. Sempre amei amamentar, sempre soube dos inúmeros benefícios para mãe e bebê e por isso me doei de corpo e alma pelo aleitamento materno do meu filho. Quando ele tinha 2 meses eu joguei fora todas as chupetas pois achei que ele estava confundindo os bicos e a partir daí a amamentação engrenou de vez. A primeira meta: 6 meses de amamentação exclusiva. Cumprida com louvor! Próxima meta: 1 ano! E lá fomos nós...


Eu sempre quis desmamar meu filho quando ele tivesse cerca de 1 ano, mesmo ciente de que a recomendação oficial é de amamentar no mínimo 2 anos e no máximo até quando mãe e filho quiserem. Pra mim, estaria muito orgulhosa e satisfeita se amamentasse por um ano, consideraria meu dever cumprido - isso é muito pessoal, ok? Cada dupla mãe/bebê sabe de si. Estou escrevendo em primeira pessoa!


Por esse motivo, já como preparação para o desmame, quando ele tinha 10 meses pedi para nossa pediatra uma indicação de fórmula pois eu gostaria de tentar ver se ele aceitava tomar esporadicamente. Por 15 dias tentamos oferecer na mamadeira (ele até então nunca tinha tomado fórmula na vida!) e ele rejeitou raivosamente! Meu Marido, minha Mãe, minha Sogra... Pelo menos uma vez ao dia fazíamos uma tentativa e nada feito. Até que 15 dias depois, exatamente quando ele tinha 10 meses e meio, ele tomou! Com minha Irmã. E eu assisti a essa cena chorando, claro!


A partir daí, passei a deixá-lo na casa da minha Mãe e da minha Sogra (vamos uma vez por semana na casa de cada uma delas) com uma mamadeira para ver se ele tomava na minha ausência. Assim, eu conseguiria trabalhar, fazer mercado, etc, sem a dependência de voltar voando pra amamentar. Deu certo, ele aceitou a fórmula nessas ocasiões e ficou super bem - se ele não mamava, pelo menos comia alguma coisa e então fome não passava!


Comecei então a me preparar para o desmame. Porque óbvio que o desmame não envolve só o bebê, envolve a mãe também. São uma dupla! Li muito, conversei muito com a pediatra do Vicente, que foi fundamental ❤, e falei pra ela que eu estava pronta para o desmame, querendo muito desmamá-lo, mas sem coragem de passar pelo processo. Desmamar sem ter que desmamar, sabe? Rsrsrsrs... Ele sendo um bebê "peitólatra", apaixonado pelo tetê que mama desde que nasceu, eu sabia que não iria voluntariamente acordar um dia e não querer mamar mais. Sabia, ou imaginava, que ele iria sofrer, e por isso tive que ir juntando coragem aos poucos. E foi gradual, vocês logo vão ver.


Algo que decidimos desde o começo foi que faríamos a troca do peito pela mamadeira. Ele é muito novo para desmamar completamente, então essa foi nossa opção.


A próxima experiência foi deixá-lo uma noite inteira sozinho com meu Marido em casa. Ele tinha cerca de um ano. Fui dormir na casa da minha Mãe e ele obviamente não teve peito de madrugada, só mamadeira. Foi uma tentativa, queríamos ver como ele ficaria, e ele ficou ótimo! Fizemos também a experiência algumas semanas depois dele dormir na casa da minha Mãe e também deu tudo certo! Por tudo certo, entendam: ele despertou nessas duas ocasiões, mas conseguiu voltar a dormir embalado ou após mamar a mamadeira.


A pediatra dele então me emprestou um livro sobre desmame, o Desmame Gradual da Bianca Balassiano, que eu li em dois dias, adorei! Li também vários outros métodos pela internet e fui montando minha forma de conduzir o desmame. Conversando com a pediatra ela me disse que não tem roteiro certo. Existem dicas e a gente vai adaptando pra realidade da criança e da família.


Até então eu estava em um ensaio pro desmame: introduzi uma mamadeira nas raras ocasiões em que eu não estava, deixei dormir uma noite sem mamar, mas foi quando ele tinha perto de 1a1m que realmente iniciei o processo. Estava decidida, querendo bastante iniciar e, principalmente, concluir o processo do desmame!


A primeira coisa que fiz foi delimitar as mamadas do dia. Escolhi três momentos do dia importantes para ele mamar (antes da soneca da manhã, antes da soneca da tarde, e antes do sono noturno) e expliquei pra ele que ele mamaria somente nesses períodos. Foi tranquilo. As poucas vezes que ele pediu fora desses momentos pré-estipulados eu explicava que não era hora de tetê e o distraía. Sempre funcionou.


Duas semanas depois, aproximadamente, passei a amamentá-lo quando ele acordava (essa mamada nem sempre eu dava, somente se ele pedisse), pra soneca da manhã e pra soneca da tarde. Pro sono noturno meu Marido passou a dar a mamadeira para ele. Também funcionou! Ele mamava, se aconchegava no meu Marido, e dormia. Percebo que às vezes a gente pensa assim: "nossa, ele nunca vai dormir sem mamar, nunca que vai dormir com mamadeira", e aí o bebê vai e te surpreende. Precisamos experimentar, mesmo conhecendo nossos bebês como a palma da nossas mãos, eles podem nos surpreender - e são MUITO mais adaptáveis do que imaginamos!


Mamadas delimitadas a 2 ou 3x ao dia, sono noturno com mamadeira, passamos então a revezar nas madrugadas: um despertar meu marido ia com a mamadeira, no próximo eu ia com o peito. Também deu certo! A dica aqui foi meu marido ir no primeiro despertar, por volta da meia noite, quando ele ainda estava bem ensonado, e eu ia no segundo (e às vezes terceiro), perto do horário que ele acorda, quando já estava mais desperto e aí o peito ajudava a embalar novamente o sono.


Até que, semana passada, decidimos como faríamos a etapa final de nosso plano de desmame: passaríamos uma semana inteirinha com meu marido indo atendê-lo em todos os despertares noturnos ninando e/ou com a mamadeira, de forma que ele mamasse peito somente durante o dia e após essa semana de desmame noturno, fariamos o diurno: eu iria parar de amamentá-lo durante o dia, substituindo por completo o peito pela mamadeira.


Vamos lá. Existem algumas formas de você desmamar o bebê e cada um faz como acha melhor para seu filho e dinâmica familiar. Li relatos de mães que foram viajar ou deixaram o bebê alguns dias na casa de alguém, porém eu não quis fazer assim. Meu filho fica comigo o dia todo, como ele se sentiria se além de perder o tetê, fonte de alimento e aconchego, ele sentisse que perdesse também a mim? Outra coisa: quando eu fosse reencontrá-lo após esse período, como seria? Cheguei a considerar essa opção, mas pensar em fazer assim não me fazia feliz, eu não queria "sumir" ou ficar longe dele.


Outros relatos contam de técnicas antigas de passar alho, boldo, própolis e uma série de outras coisas estranhas e fortes no peito para a criança sentir o gosto e rejeitar o seio da mãe. Dá certo para algumas pessoas sem crises, mas eu não me via fazendo assim. Jamais daria um fim amargo a um encontro tão especial como o que vivemos por mais de um ano!


Li também sobre pessoas que colocam ataduras ou band aids nos mamilos para que a criança pense que o peito está machucado e não queira mamar. Também não me via fazendo dessa forma. Temos uma relação tão franca e honesta, não me sentiria bem se sentisse que estava enganando-o - e também acho que ele não sabe o que é um machucado. Ele nunca se machucou, então acho que não entenderia.


Outra forma, que é inclusive a técnica do livro do Desmame Gradual, fala para você após fazer o desmame noturno, ir tirando as mamadas diurnas uma a uma: primeiro para de amamentar de manhã, depois de um tempo tira a mamada da tarde, até tirar todas. Considerei fazer assim, mas desisti. Achei que essa opção geraria uma ansiedade maior em nós dois e também o deixaria confuso: às vezes pode, às vezes não pode! Vi o relato de desmame da Juliana Goes (clique aqui pra ver, ela tem um conteúdo legal sobre o tema) e ela disse que o desmame quando é muiiiito gentil, pode causar confusão na criança. Concordo com ela e por isso eu decidi por tirar de uma vez as mamadas do dia e conversar muito com ele para explicar o que estava acontecendo.


Hora da verdade: 7 noites sem a Mamãe na madrugada. Meu Marido foi maravilhoso, minha Mãe e minha Sogra também (ele passou uma noite na casa de cada uma nesse processo). Todos sabiam que poderiam ser noites difíceis mas necessárias de serem vividas para que o desmame ocorresse. Santa rede de apoio ❤. Sei do privilégio que tenho e agradeço muito!


A pior noite: a primeira. Ele chorou bastante e acordou 3x. Foi melhorando gradualmente, até que no fim de uma semana ele já havia se acostumado totalmente. Até segurar a própria mamadeira sozinho ele estava segurando, despertando uma ou duas vezes rapidinho para mamar e voltar a dormir.


Quando se aproximou o dia de desmamá-lo completamente, eu fui ficando ansiosa. E fui conversando com ele a cada mamada: "o tetê está acabando! Você já está mamando quase todo o tetê da mamãe!". Até que chegou o dia da última mamada, dia 07/03. Foi domingo passado e eu quis ficar em casa só nós três para viver esse dia só a gente, no habitat natural dele, na cadeira de amamentação dele, no quartinho dele. Foi especial. Claro que eu chorei, e conversei com ele, e curti, e tirei foto! Pra sempre em meu coração. Só quem amamentou sabe o que estou falando e o que eu senti.


Dormi super ansiosa. Além do desafio de não amamentá-lo, precisava ensiná-lo a dormir sem mamar durante o dia. Pedi para minha Mãe vir me ajudar nesses primeiros dias (te amo, Mãe!) pois uma pessoa a mais para distraí-lo seria importante. Só que bem na segunda feira, no primeiro dia, minha Mãe só poderia vir na hora do almoço, e eu teria que passar a manhã sozinha com ele sem amamentá-lo! Vou contar em detalhes como foi.


Dia 1 - De manhã quando ele pediu para mamar, apontando para meu peito, eu expliquei para ele que ele não iria mais mamar. Que a partir de hoje só a mamadeira, que o tetê acabou. Mas que ele ainda tinha a mamãe com ele, o colo da mamãe, o ombro da mamãe, o cabelo da mamãe. Tudo continuava aqui, só o tetê que não! E ofereci a mamadeira, que ele tomou. E tenho certeza que entendeu o que eu estava falando. Nesse primeiro dia deixei ele ver um pouco TV (ele não assiste telas, mas no desmame vale tudo, né!), dei um brinquedo novo quando ele pediu para mamar novamente, e assim fomos até minha Mãe chegar. Estávamos conseguindo tranquilamente distraí-lo e fazê-lo mamar na mamadeira. Só que quando foi cerca de 15h, ele começou a chorar muito. Não era fome, não era sede, era sono. Como ele dormia até então? Mamando peito - que tinha acabado. Ele chorou muito mesmo. Partiu meu coração mas eu continuei calmamente acolhendo-o e explicando para ele o que estava acontecendo. Até que começou a chover e eu fui mostrar para ele a chuva, e comecei a cantar uma música, ele encaixou no meu ombro, e dormiu! Coloquei no berço, ele dormiu 30 minutos e acordou. Fui no berço, peguei-o no colo novamente e o ninei. Ele dormiu de novo - um MILAGRE. Ele nunca voltava a dormir comigo o ninando, era somente com peito. Dormiu mais 45 minutos no berço. Acordou super bem e à noite fizemos a rotina normal, com a mamadeira pra dormir com meu Marido, que novamente o acolheu nos despertares da madrugada - que foi tranquila.


Dia 2 - Fui para a casa da minha Mãe. Ele pediu menos vezes o peito, e todas as vezes eu expliquei tudo pra ele ("Lembra o que a Mamãe conversou com você ontem?") e ofereci a mamadeira. Percebemos nesse dia ele bem grudinho comigo. Tive que sair uma hora pra buscar o carro da revisão e ele chorou muito apontando pra uma foto minha que fica num porta retrato, que dó!

Ele chorou bastante por volta de 12h30, novamente de sono. Dessa vez foi minha Mãe que conseguiu fazê-lo dormir no colo. Ele cochilou cerca de 2 horas no berço, com dois despertares: no primeiro minha Mãe foi e no segundo eu fui - voltou a dormir as duas vezes. Acordou super bem humorado e seguimos a rotina da noite/madrugada com o Pai e mamadeira.


Dia 3 - Hoje! Passei o dia aqui em casa e ele pediu só uma vez o peito. Mamou super bem a mamadeira comigo, consegui fazê-lo dormir com bem menos choro por 1h20 sem despertares no bercinho. Ele segura a mamadeira pra mamar e com a outra mão ele fica afagando meu cabelo, como fazia quando mamava no peito ❤. Hoje também meu Marido teve que trabalhar até mais tarde e quem o fez dormir fui eu! Mamou a mamadeira, aninhou no meu colo e dormiu. Apenas três dias e ele já entendeu a nova rotina.


Bom, já são mais de três dias inteiros sem mamar. Estou tão feliz. Foi muito mais tranquilo do que achei que seria. Ele entende tudo o que eu falo e com o desmame não foi diferente. Muito orgulhosa do meu menininho. Tenho certeza que encerramos com chave de ouro esse ciclo tão especial que foi a nossa amamentação.


Eu estou me sentindo ótima. Ontem guardei meus sutiãs, roupas e pijamas de amamentação, foi uma sensação muito boa! Eu amava amamentar, amamentei por 1 ano e 2 meses, muito mais do que achei que seria capaz, muito mais do que a grande maioria das mulheres, infelizmente, e agora quero curtir essa nova fase, criar novas conexões com meu filho, ter meu corpo de volta só pra mim!


De forma alguma quero incentivar alguém a desmamar o filho, essa é uma decisão totalmente pessoal. Em mim a vontade foi crescente e só iniciei o processo quando estava segura do que queria, tranquila e em paz com minha decisão, alinhada com minha rede de apoio e com meu Marido, e decidida a não voltar atrás. A gente quando amamenta acha que essa é a única forma de conexão, mas isso não é verdade!


Espero que minha experiência ajude outras mães a passar por esse processo. Posso dizer que o desmame em si foi muito tranquilo. A preparação foi muito mais difícil, eu fiquei muito ansiosa ao pensar sobre o assunto, mas no fim tudo deu certo!


Quem quiser saber mais pode me escrever, vou ficar feliz em ajudar!

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